por Trinitty
Quanto a mim, eu acredito no quarto. É, acredito sim. Da mesma forma como sinto nostálgica falta de tê-los - vós habitantes e fantasmas - sempre por perto. É se é questão de confessar, confesso que também sinto medo. É. Medo. Não dá pra explicar, é medo e pronto.
Sim, não nos vemos antes de Jonas ser pequeno e já sabemos o quanto está grande. É egoísmo querer que as coisas sejam como antes, por isso não quero que sejam. Quero que sejam mais e melhor.
Devo pedir desculpas a todos, principalmente pra mim e especialmente para Áurea. A mim, porque deixei a vida me engolfar e passei quase um ano sem visitar este quarto, sem escrever, apenas indo e vindo de acordo com a maré de um mar que não é o meu: nem pacífico nem atlântico. Um mar meio morto onde fiquei a boiar. Quero mudar de mares, sem promessas nem dívidas, com dúvidas talvez, simplesmente ir. À Aurea porque vejo nela uma amiga tão presente e tão distante. Presente porque sempre a vejo com bolinhas verdes no orkut, on line no messenger, recebendo convites de comunidades virtuais pela rede. Presente porque é a autora de uma das melhores que já tirei na vida, tendo ao fundo o Vale do Anhangabaú e o prédio onde, sem saber, passaria quase dois anos. Presente porque, de fato, seremos sempre próximas. Distante porque eu acabo por nunca chama-la para uma conversa rápida no messenger ou no orkut, porque nunca respondo os tais convites explicando porque não os respondo, distante porque não nos escrevemos mais. Distante porque a vida nos fica o tempo todo impondo contas, prazos, cansaços. Distante porque ela está lá no Rio e eu estou cá em São Paulo, e nada mais que isso.
E se, por enquanto há pouco, nada ou muito a fazer sobre isso tudo, basta que sigamos em frente, basta que encontremos um modo de tornar o passado ainda mais poético, o futuro mais promissor e o presente, simplesmente, inescrutável.